12
Dez
07

Seda Quente

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Há dias me vem uma aragem,
Um carinho de brisa se esfarrapando
Nos cabelos de quem me possui e tomo posse.
Vejo os belos olhos, a boca só desejo e saliva,
A língua labareda que me invade e me derrete.
Ah! a seda quente desliza pelo meu rosto,
Alcança o pescoço num ritual de vento impelindo o sol pelo deserto…
E meus seios apontam seus biquinhos para o delírio.
A língua em chamas torna-os parafusos se soltando.
Tudo chacoalha dentro de meu peito,
Rangendo, rompendo os flancos, as coxas…
E cresce uma coluna de chamas pelo púbis.
Línguas se contorcem numa entrega de diamantes derretidos.
Aquele rio se agita pela nascente da vulva…
E nos bebemos, ambas, nos desfazendo e nos recompondo
Através da longa cauda dos orgasmos…
Para depois recomeçar tudo de novo.

Emanoel Virgino, o poema faz parte da obra “Amplificador de Silêncio”


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