Arquivo para Dezembro, 2007

13
Dez
07

Ausência

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Uma noite suave e crua
sem tua presença leve.
Uma noite cortante e nua
sem teu cheiro eterno e neve…

…O silêncio soturno e rude,
o meu medo roçando a pele.
E tua presença longe
traz fagulhas e agulhas,
traz sal e mel sem aço,
amarguras e descompasso.

E tua ausência perto
faz meu mundo ficar breve.
E perto da tua ausência
fico turvo sem veludo
e meu peito se derrete…

Sebá

12
Dez
07

Seda Quente

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Há dias me vem uma aragem,
Um carinho de brisa se esfarrapando
Nos cabelos de quem me possui e tomo posse.
Vejo os belos olhos, a boca só desejo e saliva,
A língua labareda que me invade e me derrete.
Ah! a seda quente desliza pelo meu rosto,
Alcança o pescoço num ritual de vento impelindo o sol pelo deserto…
E meus seios apontam seus biquinhos para o delírio.
A língua em chamas torna-os parafusos se soltando.
Tudo chacoalha dentro de meu peito,
Rangendo, rompendo os flancos, as coxas…
E cresce uma coluna de chamas pelo púbis.
Línguas se contorcem numa entrega de diamantes derretidos.
Aquele rio se agita pela nascente da vulva…
E nos bebemos, ambas, nos desfazendo e nos recompondo
Através da longa cauda dos orgasmos…
Para depois recomeçar tudo de novo.

Emanoel Virgino, o poema faz parte da obra “Amplificador de Silêncio”

07
Dez
07

Boceta Juvenil

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Inexperiente;
quase criança…
Inocente.

Alma pura,
corpo pré-moldado
prestes a se esculpir.

Libido obscuro,
mas inconsciente
hímen que quer se esvair.

Lã ariana
começa a brotar
de seu corpo infantil.

Pudera eu agora
comer uma
boceta juvenil!

Julio Onofre

04
Dez
07

Látex

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Eu vejo sexo em míseros gestos de tudo,
seu lado animalesco e sujo,
seu romantismo inútil…

Se isso é coisa de pele
- a mente responde, o corpo pede -
se mexe com a gente…
… que seja feito de amor ou mero repente.

Sexo se come de boca cheia,
sem prazo de validade:
menos pudor?mais liberdade.

Estar presente, porém,
traz saudades do passado;
houve um tempo em que não era assim:
tanto cuidado!

O sexo tinha mais tesão
e menos gosto de plástico,
tato de látex,
cheiro de farmácia.

Havia a vontade?
Nada mais era preciso.
Hoje tudo é risco, perigo,
de querer, perigo do prazer,
e um tanto assim de desamor para consigo.

E falar de sexo vai ficando tão chato…
… porque ele é bom demais pra ser didático.

Isolda Herculano, poema guardado desde 29.10.003

03
Dez
07

Sexo

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O que é colocar o membro ereto
Sendo o membro ereto a obra análoga da carne?
Do ângulo reto das pernas espelho o infinito.
O que é deslizar os dedos nos púbis?
Sentir o furor da vulva molhada no primeiro toque
Sendo o púbis a parte nobre dos pêlos da pele?
Receio adentrar cada centímetro CÚbico
De prazer no centro do mundo, imundo e belo,
Lá conquisto o gozo,
e molho o pênis no molho da fêmea desejada.

Bruno Gaudêncio