18
Nov
07

Mulheres que se diluem

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Só uma mulher sabe diluir a outra,
Fazê-la escorrer como um fluxo de perfume
E tomar a forma do amor e do prazer.
Você me toma em sua boca
E gota a gota vi me bebendo
Da maneira que a luz consome o orvalho nas pétalas.
A brisa de sua respiração agita meus cabelos
E me projeto em teus lindos e abençoados olhos.
A mestria de tuas mãos me toca como a um instrumento
E sons libertam-se dos meus ouvidos,
Da garganta que delira com a euforia dos sussurros,
Porque esses dedos me acariciam os flancos
Para esculpir as asas que já estão adejando.
E a língua em meus seios insiste em fazê-los disparar
Como setas de brasa pelos caminhos de luz de sua boca,
Minha adorada e líquida amante!
E já nem sei se entre minhas pernas
Habita uma lira ou uma boceta!!!

Emanoel Virgino, o poema faz parte da obra “Amplificador de Silêncio”


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