Arquivo para Novembro, 2007

23
Nov
07

No teu corpo

corpo.jpg

No teu corpo de rimas, passeio
Lábios de imãs, recreio
Num galope à beira-mar, uma suada canção,
Um martelo agalopado,
Teu cheiro de inexatidão,
Um poema gemido,
Umas palavras incisivas.

No teu corpo de verso terço e nado
No entorno das águas faço inverno
Molho poema alquebrado,
Singro teu morno untado,
Sangro meu corpo tremendo…

Sebá

20
Nov
07

Mais uma…

julio-poema.jpg

Vidas opostas
Corpos salgados
Caixas obscuras
Talvez Oblongas

Vontade tarada
Suor ofegante
Movimento minúsculo
Prazer se alonga.

Saliva na pele
No clitóris…Na alma
Gritos abafados sem cor…
Cansados.

Líquido escorre
Nas ancas grudado

Músculos sem tônus
Descansam deitados.

Finda-se a noite
E o sono adormece.

A aurora irradia e a
Mente se esquece.

Julio Onofre

18
Nov
07

Mulheres que se diluem

gggggsw8.jpg

Só uma mulher sabe diluir a outra,
Fazê-la escorrer como um fluxo de perfume
E tomar a forma do amor e do prazer.
Você me toma em sua boca
E gota a gota vi me bebendo
Da maneira que a luz consome o orvalho nas pétalas.
A brisa de sua respiração agita meus cabelos
E me projeto em teus lindos e abençoados olhos.
A mestria de tuas mãos me toca como a um instrumento
E sons libertam-se dos meus ouvidos,
Da garganta que delira com a euforia dos sussurros,
Porque esses dedos me acariciam os flancos
Para esculpir as asas que já estão adejando.
E a língua em meus seios insiste em fazê-los disparar
Como setas de brasa pelos caminhos de luz de sua boca,
Minha adorada e líquida amante!
E já nem sei se entre minhas pernas
Habita uma lira ou uma boceta!!!

Emanoel Virgino, o poema faz parte da obra “Amplificador de Silêncio”

16
Nov
07

Petisco (um poema gastronômico)

petisco1.jpg


Caixinha redonda,
oval, oblonga,
há tempos sem tona,
mas ‘inda acanhada.

De dia tão branda
(o corpo fechado),
de noite nem tanto
me deixaste tonto
de embriagado.

Não cheiras jasmim,
tens cheiro de mim
que entro que saio
que entro de novo
e caio – cansado.

Bem pouco sagrado,
mais ato profano
que recomeçamos
um n’outro salgado.

Lanças água tônica
em “ais” desvairados…

Escorregadio te deixo, sumido,
meio esmorecido
de alívio aéreo
por seres bem mais
que a boceta do Aurélio.

Isolda Herculano




 

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